Dicas em Conta Gotas - por Renato Fazzolari    

"Dicas em Conta Gotas”, são matérias compactas que periodicamente a AGRHO divulga e que abordam temas variados e relevantes. O Objetivo é  despertar e/ou orientar nossos parceiros, sobre as armadilhas organizacionais e comportamentais do dia-a-dia. Para ler mais dicas, clique

 

COMO A SELEÇÃO NATURAL AGE NAS EMPRESAS 

Você  conhece o dinamismo do mercado, e o que na maioria das vezes, leva as empresas ao fracasso ou sucesso?  


Uma história recente vai nos auxiliar a entender sobre o tema sugerido. Nos anos 80 do século passado, o país vivia uma inflação absurda, chegou ao patamar de 80% ao mês, a moeda tinha que ter um indexador para balizar o valor que representava, e o povo precisou de muita criatividade para sobreviver a essa época. Como um simples exemplo de como se vivia nesse período, assim que as pessoas recebiam o salário, iam direto para o supermercado e faziam a compra do mês. Como ainda não havia código de barras, as pessoas corriam na frente do funcionário do supermercado que remarcava diariamente os preços e pegava os produtos sem olhar marca, qualidade, ou sequer preço. Era uma loucura!

Pois bem, esse é um exemplo de história recente, e de como as empresas tinham que lidar com essa realidade para sobreviver e ter lucro.

Para ficar mais claro, vamos nos prender ao supermercado. O que os grandes grupos faziam? Eles compravam a mercadoria a prazo, e vendiam a vista no varejo, com um preço mais barato do que compravam.

Aí você me pergunta, como compravam mais caro e vendiam mais barato e ainda tinham lucro? Como isso era possível? Simples, aonde se ganhava dinheiro era no mercado financeiro, o macete estava em comprar a prazo e vender a vista, e aplicar o dinheiro no mercado financeiro.

Com esse cenário, agora estamos prontos para entender a dinâmica da seleção natural das empresas, onde umas prosperaram e outras quebraram.

Se a empresa ganhava dinheiro com aplicações financeiras, qual a área e consequentemente o profissional nessa época, que fazia a empresa ganhar ou perder dinheiro? Se pensou que era a área financeira e consequentemente o profissional da área financeira, acertou. Parabéns! Esse era “o cara” e a ele todo o poder.

Com o plano real a inflação estabilizou, agora os preços não eram tão dinâmicos, e as pessoas podiam comparar os produtos, quantidade, qualidade, marca e preço. Com essa mudança de cenário, agora a competitividade deixou de ser o financeiro e passou a ser a produção, quem produzia em melhores condições, ganhava mais. Com essa mudança, qual o setor e o profissional que passou a ser mais valorizado? Se pensou que era o da produção, e da qualidade, mais uma vez acertou. Parabéns!

Nesse novo cenário, para se ter um bom produto e produzi-lo a um preço menor, pois aí estava a competitividade e o lucro, era necessário comprar melhor (qualidade, prazo e preço).  Quais os profissionais que mais se valorizaram no mercado para atender essas condições? Como sei que você acertou novamente, só vou confirmar; os profissionais de suprimentos e de custos.

Agora o produto era mais competitivo, tinha quantidade de produção, qualidade e uma adequada margem de lucro, o que precisava ser feito? Vender! E para vender, quais os profissionais que passaram a ser mais valorizados no mercado? Essa foi muito fácil, você só tinha que acertar, foram os do Comercial e de Marketing.

Ufa! Como a coisa é dinâmica: é dinâmica, real, e pela Lei da Seleção Natural, só os mais competentes sobreviveram!

Se você entendeu o mecanismo, vamos dar uma rápida pincelada em como isso acontece no setor sucroenergético.

Você sabia que: na usina, uma hora parada na safra representa em média a perda de R$ 80.000,00? Que o setor automotivo, com o advento da mecanização, passou a representar em média 45% de todo o custo da usina? Que só se vai saber o resultado do que se faz na agrícola no mínimo 2 safras depois? Poderíamos fazer aqui uma enorme lista, mas como para um bom entendedor uma palavra é uma sentença,  acreditamos que o apresentado é o suficiente.

Suficiente para... se estar alerta da importância de identificar o momento que a empresa se encontra hoje, nestes tempos tão difíceis de crise. É hora de se perguntar: a estrutura organizacional e profissional está continuamente sendo atualizada e condizente com as exigências e realidade do mercado? As ações da empresa são competentes e corajosas o suficiente para enfrentar a dinâmica do mercado? 

Diante do exposto, será que o melhor é ficar estático e no amanhã se fazer de vítima e se lastimar com os acontecimentos, e jogar a culpa em terceiros? Ou então, tomar a dianteira, identificar o atual e o próximo lance da história, e tirar proveito da situação? Pense nisso!


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